Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Sabichona

A Sabichona

Sex | 29.01.21

O amor é uma merda.

Sabichona

Crescemos rodeados de amor, ou pelo menos achamos nós que é amor. Afinal os nossos avós estavam casados há 50 anos, os nossos pais continuam casados após 34 anos e até as amigas irradiam felicidade mesmo depois de 10 anos de casamento.

É natural que queiramos isso para nós. O príncipe encantado. Aquela pessoa que nos consegue arrebatar só com o olhar. Que nos faz levantar o pé quando nos beija...talvez influências de infâncias cheias de filmes Disney, adolescência cheia de episódios de Sex and the City e de Friends...raios até os filmes para adolescentes acabam sempre com a miúda feia a ficar bonita, qual conto “The Ugly Duckling”, e a terminar feliz para sempre com o rapaz com que sempre sonhou.

Mas nunca contam como é a vida depois da paixão. Porque o que fica é o amor. E, tal como disse antes, o amor é uma treta.

É uma merda, na verdade. Ele deixa de ser o príncipe encantado para passar a ter problemas como nós. Deixa de parecer tão perfeito e aquela barriga branca e cada vez maior começa a parecer menos engraçada. As nossas necessidades passam imediatamente para 2º plano, porque os amigos dele começam a aparecer de todos os buracos; sim, porque ele antes não tinha amigos, eles brotam do chão que nem rebentos de soja assim que o namoro passa a ser sério, ou como quem diz, quando nós começamos a comprar-lhes boxers e meias.

E sentimo-nos mulherzinhas. Na obrigação de cuidar da casa, de preparar refeições, arranjar-lhe a roupa, aceitar as manias dele, porque coitadinho, nunca teve uma família a sério. E deixamo-nos ir. E aceitamos que aquilo é assim. É o que nos espera. Não há mais.

A tristeza apodera-se de nós e entramos em depressão sem o saber. E afastamo-nos. Começamos a ser frias, a julgá-lo por tudo o que faz e o que não faz. A culpá-lo de tudo o que nos corre mal mesmo que ele não seja o culpado directo.

E um dia ele diz que já não é feliz. Que não sente o mesmo por nós.

E nós decidimos sair de casa. Afinal não podemos ficar em casa com uma pessoa que não nos quer, não é? Mas que no fundo nós também não queremos.

Mas o amor fica. O amor ainda está lá.

Mas já não funciona. Porque não queremos. Porque hoje só se quer o que é rápido. Porque o que dá trabalho é uma merda. E o amor dá trabalho.

O amor é uma merda.

Dom | 24.01.21

Cá estamos

Sabichona

2 anos.

Passaram-se quase 2 anos desde que decidi abrir e escrever, pela primeira vez, neste cantinho.

Hoje lembrei-me que o tinha. Sim. Tinha-me esquecido, completamente, que isto existia. O meu sítio seguro. Mas tenho várias excelentes desculpas para ter negligenciado por completo esta casa.

Os últimos 2 anos foram caóticos a nível profissional. Passo a explicar: a trabalhar na mesma empresa desde 2010, em 2017 deram-me a notícia que não só ia ter de fazer o meu trabalho como também o do colega que iam despedir, com o mesmo ordenado.

Em 2019, com uma nova pessoa encarregue levei com a notícia que afinal queriam contratar alguém para o lugar que tinham fechado 2 anos antes, não só continuei com os meus afazeres como ainda tive de vestir o casaco de RH - porque a secção de RH me disse logo que não podia ajudar...é tudo demasiado complicado. A juntar a isto, outro colega decidiu que queria sair mas não se queria despedir, então, só porque sim, tornou a minha (e a dos restantes colegas) vida negra negligenciando o trabalho dele e minando o trabalho dos outros. Ora então, abril e maio de 2019 foram passados a procurar 2 colegas novos (porque, e já que estava com a função de RH, optei por pedir que esse colega se fosse embora - e anuíram), em junho entraram 2 colegas novos que eu tive de ajudar a integrarem-se e em julho recebi, pela primeira vez, um aumento! Nada mau, esperar 9 anos para receber o primeiro aumento. Não fosse o facto do colega que entrou, para me ajuda, entrar a receber mais 300€ que eu, "porque sempre foi assim".

No meio desse caos, em abril de 2019 fui contactada por outra empresa - estavam interessados em mim. Fui a várias entrevistas e no verão calaram-se. Altura em que uma outra empresa também me quis contratar - when it rains, it pours.

Em outubro, ambas as empresas, e sem conhecimento do meu patrão, fizeram ofertas. Nem foi preciso pensar duas vezes: saí em dezembro de 2019. 

Em janeiro de 2020 comecei uma nova carreira, tão diferente de tudo o que fiz até hoje. E o resto já se sabe: em março entrámos em lockdown, e a empresa onde estou agora, mandou-me trabalhar a partir de casa desde essa altura. Fiz a 1 de janeiro de 2021, 1 ano de trabalho. Continuo em casa.

E só hoje é que me lembrei que tenho este blog.

Confirma-se: já sofro de Alzheimer...